sexta-feira, 3 de setembro de 2010

One-shot: Verdade sobre o luar


Título: Verdade sobre o luar
Autor: Pinkii
Trailer: Às vezes uma grande amizade transforma-se em amor eterno.
Género: Romance
Personagens:

  • Bill- vocalista da banda alemã Tokio Hotel.
    Naida-Melhor amiga de Bill.

Encontrava-me de novo sentado sobre o parapeito da janela à espera que Naida acabasse de jantar e fosse para a janela do seu quarto, como sempre fazíamos, desde os cinco anos de idade.
Um dia colocámos dois copos de plástico em cada janela para falarmos um com o outro mais facilmente.
Tinha saudades da sua companhia.
Estava farto das falsidades do meu mundo. Sempre que estava em digressão, o meu coração apertava de saudades de casa, de poder fugir para perto dela e colocar a minha cabeça sobre o seu colo e ela sussurrar-me que estava tudo bem enquanto me fazia festinhas.
Ouvi a janela do outro lado da rua a abrir-se.
Ela apareceu entre os cortinados.
Era tão bela.
O seu cabelo longo negro brilhava ao luar, tanto como os seus olhos grandes azuis.
Vestia o seu vestido rosa com coelhinhos de pijama favorito. Tinha sido eu a oferecer-lhe quando ela fez 17 anos.
-Estava louca de saudades tuas!-disse ela na sua voz alegre.
Que saudades!
A dor no meu peito emanou. Eu andava tão estranho ultimamente. Eu sabia a razão. Mas tinha medo.
-Olá bonequinha!-saudei-a.-Como estás?
-Bem.
Saltei pela janela e fui na sua direcção.
Sorriu-me.
Dei-lhe a mão.
-Vem passear comigo-pedi-lhe.
Ela acenou com a cabeça enquanto me largava a mão e entrava pelo quarto para trancar a porta.
Ajudei-a a saltar pela sua janela. Quando a segurei pela sua fina cintura, senti algo estranho dentro de mim. Estranho e completamente novo para mim a percorrer-me o corpo todo.
Dei-lhe a mão a caminhar para um rio perto de nossas casas.
Um dos sítios em que eu fugia quando era gozado na escola ou quando assistia a discussões em casa. E onde, ela sempre me encontrava.
-Como correu a digressão?-sua voz interrompeu-me os pensamentos.
-Correu…Bem.
-Bem?Não pareceu pela tua voz.
-Tive saudades.
-De casa?
Não.Tuas.
-Sim.
-Os anos passam mas tu nunca te habituarás a estar longe de casa.
Chegámos.
Sentámo-nos na areia.
-Porque estás a olhar assim para mim?-perguntou ela.
Nem tinha reparado que a olhava.
Virei-me para ela e dei-lhe as mãos.
-Naida, não sei como te dizer isto, mas terá de ser, senão explodo.
Seus olhos precorriam os meus olhos e o meu rosto à procura de algo que lhe desse uma pista do que se tratava.
-Nesta última digressão eu percebi os meus sentimentos…-parei.Olhei seus olhos.-Por ti.
Ela moveu-se.
Segurei-lhe firmemente as mãos.
-Por favor deixa-me acabar. Desde pequeninos sempre tives-te ao meu lado. Passei contigo todos os momentos importantes da minha existência. E quero continuar a passar, para sempre! Sonho deitar-me ao teu lado todos as noites. Sentir teu corpo contra o meu. Sentir o calor do teu corpo ao acordar todas as manhãs. E mais tarde enchermos a casa de filhos. Ter imensas discussões contigo durante a vida. Mas no final seres a última pessoa que os meus olhos vêem antes de se fecharem.
Vi uma lágrima a escorrer-lhe pelo rosto e mais a ameaçarem sair. Percebi que também chorava.
-Diz alguma coisa-pedi-lhe.
Ela esfregou os olhos e aproximou-se de mim.
Fechei os olhos e percorri o espaço que faltava entre nós.
Os nossos lábios cruzaram-se. Ficámos ali durante muito tempo. Não sei precisar quanto. Mas isso também não importa. Estávamos a exteriorizar sentimentos que estavam acumulados durante anos.
-Não tens medo?-perguntou-me ela.
-Tenho.
-Eu também-disse-me enquanto contemplava a lua.
Levantou-se e tirou o vestido.
Engoli em seco.
Encontrava-se à minha frente só em cuecas sobre a luz do luar. A sua pele brilhava. Ela era divina.
Já não era a primeira vez que a via nua. Mas agora era diferente. Tudo tinha mudado.
Levantei-me e tirei as minhas roupas.
Dei-lhe a mão e caminhámos para a água.
-Amo-te, minha deusa!-disse eu. Naida é a Deusa das Águas.
-Amo-te eternamente!-respondeu-me.

Fim


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