segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Bem-vinda Morte!


Título: Bem-vinda Morte!
Autor: Pinkii
Trailer: Um amor roubado em vida, mas reencontrado na morte.
Género: Drama/Romance
Personagens:
Heidi
Bill
Imma
Tom

“Para ser bom só me faltou ser amado.”
Fechei o livro.
Como o compreendia.
Será que amado por segundos contava?
Há três meses toda a minha vida mudou. Era uma jovem alegre de 21 anos. Com toda a felicidade da vida à minha espera.
Mais, que, três segundos apenas, destruiu tudo o que tinha de bom e que poderia vir a ter.
E, hoje, aqui sentada sobre a janela, olhando por um vidro salpicado pelo choro do céu, lembro-me daquele dia, como faço todos os dias à três meses.

****

Imma estava ao telemóvel como Tom, seu namorado.
Quando cheguei, despediu-se dele e desligou.
-Sabes com quem vou sair?
-Não é difícil adivinhar-respondi.
-Oh-riu-se.- Com o Tom. E o Bill.
Bill.
Só o nome dele me fez tremer o corpo todo.
-Estás bem?-perguntou Imma.
Bill.
O homem que eu amo profundamente à vários anos e que me afastei pois ele só me via como sua melhor amiga. Ou assim, pensava eu.
-Estou.
-Então vais à festa comigo.
-Não.Tenho muito trabalho-menti.
-Por favor-fez-me os olhos de cachorro abandonado.
-Não Imma!
-Por favor.
-Ai.
Não sei como me convenceu. Mas a certa altura estava a sair de casa de braço dado a ela.
Chegámos à festa rapidamente.
Era a festa da Santa Padroeira do Bairro, por isso o recinto estava completamente lotado.
Estávamos a dirigir para a barraquinha dos shots quando Imma vê Tom. Os dois se envolvem num beijo apaixonado que me fez desviar o olhar.
E vejo Bill.
Encostado à barraquinha.
Tinha umas calças de ganga justas, e uma camisa aos quadrados vermelha e preta. Usava um colar ao pescoço e a sua crista perfeitamente penteada para trás.
Neste instante, ele olha na minha direcção.
Entreolhámo-nos durante uns segundos até que ele vem para onde estou.
-Olá-disse.
-Olá.
-Desapareces-te.
-Estive ocupada.
Sorri-me. Um sorriso triste. Um sorriso que significava que sabia que eu estava a mentir.
-Podemos falar?-perguntou.
Olhei em volta à procura de algo que me fizesse dizer que não. Imma e Tom ainda estavam envoltos no seu abraço apaixonado.
Suspirei.
-Sim.
-Vem comigo-disse ele.
E assim fiz.
A culpa foi toda minha do que viria a acontecer.
Se não tivesse ido com ele, ele não se encontraria naquele local naquele momento.
Mas já lá vamos.
Fomos para trás dos carrinhos de choque. Um campo baldio.
-Diz-me a verdade-pediu ele.
-Que verdade?
-Porquê é que fugis-te de mim?
-Não fu…
-Por favor-interrompeu-me. Sua voz mostrava exaustão e seus olhos brilhavam.
-Eu…afastei-me…com medo.
-Medo?
-Medo.Eu…Ai Bill, não quero ter esta conversa!-gritei.
Ele olhou-me.
Olhou-me como nunca me tinha olhado antes.
Seus olhos trespassaram os meus.
Sua mão fina e gélida agarrou meu rosto.
E enterrou seus lábios nos meus.
Foi um beijo urgente. Tanto da sua parte como da minha.
E no meio daquela ânsia de mais, ouvimos um grupo a passar por nós e ele afastou-se.
-Olha Olha-disse um deles.-É o Bill Kaulitz!-estava bêbado.
-Que queres?-perguntou Bill.
-O teu gémeo atrelado deixou-te sozinho?
Riram-se todos. Como se tivesse alguma piada o que ele tinha dito.
Bill estava de punhos fechados.
-Ora, que linda menina tens aí. Para maricas até andas bem acompanhado-disse o gajo, vindo na minha direcção, mas Bill colocou-se à sua frente.
-Não te atrevas!-ameaçou ele.
O gajo riu-se alto.
-Que fazes?
-Não te atrevas-repetiu Bill.
Esse avançou.
Bill empurrou-o.
E em segundos Bill estava a cair ao chão a sangrar e os gajo todos a fugirem.
O gajo tinha-o esfaqueado!
Gritei e caí de joelhos a seu lado.
-Bill!-Não…Fica comigo!Eu amo-te!Sempre te amei!Por isso me afastei!Nõ suportava ter-te só como amigo.
-Heidi-pousou a sua mão sobre a minha.- Também sempre te amei.
Começou a tossir.
Eu não tinha telemóvel e estávamos sozinhos. Podia gritar, mas com o barulho da festa, ninguém me iria ouvir.
-Amor-tossiu mais.Sangue.-Vou morrer como sonhei. A teu lado.
-Não é justo!-gritei.-Eu preciso de ti!
-Levar-te-ei no coração e pensamento.
Beijei-lhe os lábios. Quando olhei para ele, o último sopro da sua vida já o tinha abandonado.
Encostei-me a ele e chorei. Chorei como nunca tinha chorado antes. Chorei como agora choro todos os dias. Minhas lágrimas juntaram –se com o seu sangue.
Até ser de manhã e a Imma e o Tom nos encontrarem.

****

É com esta memória que vivo desde aí.
Pude dar um único beijo à pessoa que mais amei na vida.
Tantos anos a sonhar tê-lo, e depois quando o tive, roubaram-mo!
Porquê?
Passava os dedos sobre uma fria lâmina.
Queria estar com ele mais uma vez.
Enterrei a lâmina na minha barriga.
Caí.
Ensanguentei o vidro com a minha mão.
Deixei de ver as coisas claramente.
Frio.Frio.Frio.
Dor.
Mas já ia passar. Já ia estar nos braços dele novamente.
Vi-a um túnel branco e uma silhueta no fundo.Era ele!
Desculpem as pessoas que se preocupavam comigo. Não resisti. Agora estava finalmente bem.
O Bill esperava-me.Corri para ele!

Fim

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

One-shot: Verdade sobre o luar


Título: Verdade sobre o luar
Autor: Pinkii
Trailer: Às vezes uma grande amizade transforma-se em amor eterno.
Género: Romance
Personagens:

  • Bill- vocalista da banda alemã Tokio Hotel.
    Naida-Melhor amiga de Bill.

Encontrava-me de novo sentado sobre o parapeito da janela à espera que Naida acabasse de jantar e fosse para a janela do seu quarto, como sempre fazíamos, desde os cinco anos de idade.
Um dia colocámos dois copos de plástico em cada janela para falarmos um com o outro mais facilmente.
Tinha saudades da sua companhia.
Estava farto das falsidades do meu mundo. Sempre que estava em digressão, o meu coração apertava de saudades de casa, de poder fugir para perto dela e colocar a minha cabeça sobre o seu colo e ela sussurrar-me que estava tudo bem enquanto me fazia festinhas.
Ouvi a janela do outro lado da rua a abrir-se.
Ela apareceu entre os cortinados.
Era tão bela.
O seu cabelo longo negro brilhava ao luar, tanto como os seus olhos grandes azuis.
Vestia o seu vestido rosa com coelhinhos de pijama favorito. Tinha sido eu a oferecer-lhe quando ela fez 17 anos.
-Estava louca de saudades tuas!-disse ela na sua voz alegre.
Que saudades!
A dor no meu peito emanou. Eu andava tão estranho ultimamente. Eu sabia a razão. Mas tinha medo.
-Olá bonequinha!-saudei-a.-Como estás?
-Bem.
Saltei pela janela e fui na sua direcção.
Sorriu-me.
Dei-lhe a mão.
-Vem passear comigo-pedi-lhe.
Ela acenou com a cabeça enquanto me largava a mão e entrava pelo quarto para trancar a porta.
Ajudei-a a saltar pela sua janela. Quando a segurei pela sua fina cintura, senti algo estranho dentro de mim. Estranho e completamente novo para mim a percorrer-me o corpo todo.
Dei-lhe a mão a caminhar para um rio perto de nossas casas.
Um dos sítios em que eu fugia quando era gozado na escola ou quando assistia a discussões em casa. E onde, ela sempre me encontrava.
-Como correu a digressão?-sua voz interrompeu-me os pensamentos.
-Correu…Bem.
-Bem?Não pareceu pela tua voz.
-Tive saudades.
-De casa?
Não.Tuas.
-Sim.
-Os anos passam mas tu nunca te habituarás a estar longe de casa.
Chegámos.
Sentámo-nos na areia.
-Porque estás a olhar assim para mim?-perguntou ela.
Nem tinha reparado que a olhava.
Virei-me para ela e dei-lhe as mãos.
-Naida, não sei como te dizer isto, mas terá de ser, senão explodo.
Seus olhos precorriam os meus olhos e o meu rosto à procura de algo que lhe desse uma pista do que se tratava.
-Nesta última digressão eu percebi os meus sentimentos…-parei.Olhei seus olhos.-Por ti.
Ela moveu-se.
Segurei-lhe firmemente as mãos.
-Por favor deixa-me acabar. Desde pequeninos sempre tives-te ao meu lado. Passei contigo todos os momentos importantes da minha existência. E quero continuar a passar, para sempre! Sonho deitar-me ao teu lado todos as noites. Sentir teu corpo contra o meu. Sentir o calor do teu corpo ao acordar todas as manhãs. E mais tarde enchermos a casa de filhos. Ter imensas discussões contigo durante a vida. Mas no final seres a última pessoa que os meus olhos vêem antes de se fecharem.
Vi uma lágrima a escorrer-lhe pelo rosto e mais a ameaçarem sair. Percebi que também chorava.
-Diz alguma coisa-pedi-lhe.
Ela esfregou os olhos e aproximou-se de mim.
Fechei os olhos e percorri o espaço que faltava entre nós.
Os nossos lábios cruzaram-se. Ficámos ali durante muito tempo. Não sei precisar quanto. Mas isso também não importa. Estávamos a exteriorizar sentimentos que estavam acumulados durante anos.
-Não tens medo?-perguntou-me ela.
-Tenho.
-Eu também-disse-me enquanto contemplava a lua.
Levantou-se e tirou o vestido.
Engoli em seco.
Encontrava-se à minha frente só em cuecas sobre a luz do luar. A sua pele brilhava. Ela era divina.
Já não era a primeira vez que a via nua. Mas agora era diferente. Tudo tinha mudado.
Levantei-me e tirei as minhas roupas.
Dei-lhe a mão e caminhámos para a água.
-Amo-te, minha deusa!-disse eu. Naida é a Deusa das Águas.
-Amo-te eternamente!-respondeu-me.

Fim


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Right here waiting for you #9


Capítulo 9:

****
-Espero aqui um pouco!-disse a minha mãe.
-Vais onde?-perguntei eu. Uma criança de 8 anos.
-Ali ao café da outra rua-disse ela a cambalear.Estava bêbada.Como sempre. Dizia que era por causa do meu pai. Que "o sacana" a tinha abandonado quando eu nasci.
-Está bem.
Sentei-me no passeio e vi-a a ir a cambalear até ao fim da rua.
Fiquei ali sentada durante muito tempo, não sei bem quanto, a chorar, à espera dela. Mas no fundo sabia a verdade.
No dia seguinte, já me doía o corpo de estar ali sentada no passeio, quando um homem parou à minha frente:
-Estás bem?
-Não-disse eu.
E levou-me ao café para comer e depois à polícia.

****

-Dificuldades da vida-respodi-lhe finalmente.
-Como assim?
-Desculpa, mas é algo que não queria falar.
-Desculpa.-olhou para o relógio.-Sais a que horas?
-Já passou da minha hora.
-Então eu levo-te a casa.
-Não!...Obrigado.
-Calma-disse ele. - Não te levo a casa. Diz - me um sítio perto e eu deixo-te lá-olhou para mim.-Não te faço mal.
Olhei para os seus olhos.
Estava a dizer a verdade.
-Não sei.-disse eu.
Sorriu-me.
-Espero - te nas traseiras-disse isto, deixou 50€ na mesa e saiu.
Entrei nos bastidores. Troquei a saia pelas calças de ganga velhas e o top pela t shirt larga e casaco velho mas quente. Tirei a maquilhagem e apanhei o cabelo num rabo-de-cavalo.
Saí para a rua.
-Estás diferente-disse ele.-Mas ainda mais bonita.
Corei.
-Obrigado.
Abriu-me a porta para o carro mais espantoso que alguma tinha visto à minha frente!Era lindo. O David e a Silvy tinham razão. Ele deveria ser riquissimo.
Entrei no carro.
-Fico contente por confiares em mim-disse ele.
-Não confio.
-Fazes bem.Não sou de confiança-sorriu-me.
Ri-me.
Fizemos o caminho até à rua por detrás do meu apartamento em silêncio. Mas pela primeira vez na vida, o silêncio não foi constragedor. Senti-me bem. Simplesmente, senti-me bem.
Parou e saí do carro.
Ele também.
-Obrigado.
-De nada-pôs-se à minha frente.- Não são horas de andares sózinha.O namorado não te vai buscar?
-Não tenho.
-Ah.Interessante-sorriu-me.-encostou-se a mim e colocou os seus lábios sobre os meus. Muito suavemente e afastou-se.-Boa noite.
Ele entrou no carro e foi-se embora.


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Right here waiting for you #8

Capítulo 8:

Entrei pelas traseiras, vesti-me e maquilhei-me como é hábito.
Estava à espera que a Anne e o Jack acabassem o seu show conjunto quando a Silvy me chamou.
-Sim?-perguntei eu.Já não se encontrava sóbria.
-O David disse-me que tens um ricaço babado por ti.
-Ricaço?
-Sim.Até já te manda flores!
-Primeiro, não está babado por mim. Segundo, não te metas na minha vida!Eu também não me meto na tua.-disse eu.
-Não tenho a tua sorte.-disse ela.
Virei costas e entrei no palco.
Deparei-me com ele mais o amigo de cabelo comprido numa mesa do canto.
Levantou o copo na minha direcção.
Encostei-me ao odioso varão. Dei o meu show, recebi as gorjetas e saí para os bastidores.
Seus olhos não largaram os meus olhos durante aquele tempo todo.
David entrou atrás de mim.
-Veste-te!Chamaram-te!
-Para quê?
-Para que achas?
E saiu.
Vesti uma saia preta curta e um top com lantejoulas prateadas. Retoquei a maquilhagem. E fui até ao balcão onde o David se encontrava.
Ele colocou o braço à volta da minha cintura e encaminhou-me para a mesa do canto.A mesa do Tom.
Sorriu-me.
-Olá!-saudou-me.-Senta-te.
Sentei-me.
-Danças muito bem.- disse o amigo.
-Obrigado.
-O Georg vai ter com a namorada daqui a pouco tempo.-disse tom.
-Ah.
-Gostas-te da flôr?-perguntou.
"Claro que sim!É a minha flôr favorita!", pensei eu.
-Sim-encolhi os ombros.-Era bonita.
-Ainda bem.Ontem tive uns problemas com o meu irmão.Não pude vir.
-Mas ele está bem?
-Sim.-encolheu os ombros.- Coisas de gémeos.
Gémeos.Por isso eram tão parecidos. Iguais até. Apesar do estilo de cada um.
-Meninos, vou ter de ir-anunciou o Georg levantando-se.-Prazer em conhecer-te, Luna. E tu puto, falamos amanhã-saiu.
-Finalmente a sós-disse Tom.
Sorri-lhe.
-Queres beber algo?-perguntou.
-Uma água-sabia que devia ter pedido algo mais caro.Eram as normas. Mas queria estar sóbria para esta conversa.
Pediu a água a uma das empregadas do bar, que foi demasiado simpática para ele. Mas ele nem notou. Se notou, era um excelente actor.
-Que idade tens?-perguntou.
-23.
-Eu tenho 20.-disse ele.
Sorri-lhe.
Chegou a minha água.
-Precisa de mais alguma coisa?-perguntou a empregada quase em cima do seu cólo.
-Não, obrigado.- disse ele.
Revirei os olhos.
-O que foi?-perguntou.
-A empregada. Não podia ser mais descarada.
-Reparas-te?-riu-se.-É sempre assim onde estou perto.Já nem ligo.
-Muito convencido.
Riu-se de novo.- Verás que é verdade no futuro.
-Futuro?
Desviou o olhar.
-Posso-te fazer uma pergunta?-perguntou ele.
-Depende.
-És muito inteligente, bonita, sipática, etc.Porquê este emprego?
Caí nos meus pensamentos.